Verdade ou Mito? Oradores são necessariamente Extrovertidos

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O que esperar do treinamento para falar em público.

Estão na ponta da língua os grandes oradores que forjaram a história através da palavra, tais como Gandhi, Luther King, Hitler. Esses e tantos outros de maior ou menor envergadura tiveram uma personalidade bem diferente dos grandes comediantes que estimularam gargalhadas e descontração, tais como Charlie Chaplin, Gerry Lewis, Grande Otelo.

Quando pensamos em grandes descobertas e inventos que causaram impacto significativo na humanidade, tais como Nicolau Copérnico com o heliocentrismo, fissão nuclear com Otto Hahn, teoria da relatividade com Albert Einstein, ou mais recentemente a Microsoft de Bill Gate e os produtos mais avançados que temos hoje para interação online com Steve Jobs – todas essas conquistas ocorreram por causa da introversão, não apesar da introversão.

Porém, quando queremos nos divertir, pensamos em assistir shows, partidas de futebol, desfile de escolas de samba, visitar lugares movimentados – nesses eventos e lugares quem está no comando são os extrovertidos.

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Estamos diante de duas necessidades e de dois estilos de personalidades bem diferentes: introversãoextroversão.

Como identificar o perfil da minha personalidade?

Introversão e extroversão são dois extremos do espectro de personalidade. É fácil identificar o típico introvertido: reflexivo, de pouca fala, muito observador, prefere trabalhar sozinho, normalmente é excelente em ciências exatas, etc. O típico extrovertido: adora estar com os outros, de fala fácil, brincalhão, estuda para passar de ano, ama organizar eventos sociais, se relaciona fácil e expressa com leveza o que pensa.

O espectro Introversão – Extroversão tem embasamento científico?

Historicamente, a partir da Revolução Industrial, foi deixado de lado o culto ao caráter. Eram comuns palavras de comando, como – honra, reputação, integridade, disciplina, ordem (como me vejo); e, começou-se, aos poucos, a ouvir palavras de ordem bem diferentes, como – magnético, fascinante, atraente, ousado, divertido, sociável (como sou visto). Claramente vivemos hoje num ambiente onde reina o ideal da extroversão – passamos, portanto, do interior para o exterior.

Cientificamente em 1920 o psicólogo Alfred Adler em seu best seller A Ciência da Natureza Humana criou a expressão – complexo de inferioridade. Sua tese era de que crianças criadas com adultos (pais, tios, irmãos) sentem-se inferiores e quando canalizam suas energias para a realização de seus objetivos e não são bem-sucedidos, criam o complexo de inferioridade.

Carl Gustav Jung em 1921 em seu livro Tipos Psicológicos estudou em profundidade a personalidade humana. Para ele, os introvertidos são atraídos pelo mundo interior do pensamento e sentimentos, focam no significado dos eventos e recarregam suas energias ficando sozinhos; já os extrovertidos são atraídos para o mundo exterior dos sons, formas, movimentos e mergulham nos próprios acontecimentos e se socializam para se recarregar.

Mas foi o psicólogo do desenvolvimento Jerome Kagan que pesquisou mais a fundo as características neurológicas cerebrais para explicar porque somos mais introvertidos ou mais extrovertidos. Analisou o sistema límbico e constatou que os bebês aos 4 meses que demonstram alta reatividade a fatores estranhos serão introvertidos – este é um traço de personalidade conhecido como tímidos; aqueles que têm baixa reatividade serão extrovertidos – um traço de personalidade conhecido como desinibidos.

Portanto, psicólogos e neurocientistas explicam a escala de introversão – extroversão através da sensibilidade do sistema límbico (temperamento) e da educação na primeira infância (ambiente), o qual costumamos chamar de personalidade.

Introvertidos – Extrovertidos e as estratégias para apresentações de impacto. E qual perfil é melhor para falar em público?

O importante para a nossa reflexão é saber em que ponto da escala introversão – extroversão me encontro, para entender o que fazer ao realizar apresentações em público que sejam prazerosas a quem realiza e impactantes a quem participa.

Os que estão no extremo da introversão, e que portanto, pensam isolados, amam o silêncio, a leitura, a reflexão precisam focar o seu treinamento em aprender a pensar alto, refletir em voz alta, romper o silêncio, perceber o exterior, olhar para fora, ouvir ideias diferentes das suas, treinar o diálogo e a interação e ter consciência que têm uma grande qualidade para fazer sucesso em público – têm reflexões muito interessantes, conclusões muito bem elaboradas, raciocínios bem estruturados, isto é, seu ponto forte é saber claramente o que falar, apenas precisam treinar o como falar.

Os que estão no extremo da extroversão sempre pensaram em voz alta, muito atentos a estímulos que vêm de fora, prontos para interagir e necessitam da presença dos outros para se sentirem vivos. Estes precisam ter consciência que naturalmente são leves, fluentes, agradáveis ao expressar o que sentem e pensam, porém como não têm o hábito de estarem consigo mesmos, fazer silêncio, refletir longamente e sozinhos, precisam treinar a pensar, a refletir, fazer silêncio, pesquisar, prestar atenção no que pensa e diz, focar internamente e adquirir estratégias de organização do raciocínio para expor com clareza e lógica os seus argumentos, isto é, seu ponto forte é a leveza e descontração ao se expor, precisam maior habilidade em como fundamentar e organizar seus argumentos.

Como sei em ponto do espectro da Introversão – Extroversão me encontro?

O maior grupo de acadêmicos e profissionais está entre os dois extremos do espectro – os introvertidos típicos e os extrovertidos típicos. Quem são eles?

São os que tendem a introversão, estes precisam saber que a dificuldade que sentem para expor-se em público é devido à falta de prática de ser para fora, de pensar com naturalidade em voz alta e diante dos outros e analisar com cuidado como está sua autoestima, isto é, o quanto acredita em si mesmo, deixar de se comparar com os outros e valorizar suas qualidades que são inúmeras.

Tais perfis de profissionais ou acadêmicos, quando precisam fazer seminários ou apresentar projetos costumam focar bem mais nos estudos do que na performance para expressar, pois acreditam que a insegurança persiste por não terem ainda estudado o suficiente, pensam assim porque é da sua própria natureza serem mais reflexivos do que interativos.

Já aqueles que tendem a extroversão precisam fazer mais força nos estudos, nas pesquisas, dedicar mais tempo e esforço nas análises dos temas sobre os quais vão falar. Profissionais e acadêmicos com tal perfil, após terem realizado a preparação intelectual, focam seus esforços na performance.

Estão com o foco equivocado. O esforço correto aos profissionais e acadêmicos com tendência a extroversão precisa ser bem mais acentuado no estudo, nas pesquisas, na organização dos argumentos – caso contrário, farão reuniões ou apresentações muito descontraídas, agradáveis, porém superficiais.

Portanto, encontramos pessoas muito introvertidas, ou muito extrovertidas, mas é mais normal nos depararmos com pessoas com tendência à introversão ou com tendência a extroversão – e isso não é algo que deva ser curado, mas corretamente explorado.

E, quando se trata de falar em público e atender plenamente o auditório, cada perfil precisa ter consciência do que exatamente precisa fazer para preparar e apresentar o melhor conteúdo com a melhor performance.

Extrovertidos e introvertidos têm diferentes meios de buscar segurança em público.

Pessoas muito introvertidas ou com tendência a introversão vão para dentro para adquirir segurança – portanto, o silêncio é o ponto de partida para a sua eloquência. Já as muito extrovertidas ou com tendência à extroversão vão para fora para se sentirem seguras – portanto, são os estímulos externos que os tornam eloquentes.

Fale sempre sobre algo pelo qual é apaixonado, isso tira o foco de si mesmo. Essa estratégia faz com que o sistema límbico fique em segundo plano, e o neocórtex com o hipocampo (memória) assumam o comando.

Veja então qual a sua dinâmica natural.

A dinâmica natural dos introvertidos é: cabeça  voz – corpo. Já a dinâmica preferida dos extrovertidos é: corpo – voz – cabeça.

Como os diferentes perfis devem proceder durante a apresentação.

Os acadêmicos e profissionais que tendem naturalmente a introversão, deverão permitir que o neocórtex (raciocínio lógico) assuma levemente o comando, mas com o cuidado de não serem excessivamente formais.

Já aqueles com tendência a extroversão precisam deixar o sistema límbico assumir o comando, isto é, devem permitir que sua tendência natural a extroversão, assuma levemente o controle, porém sem perder a sequência lógica do raciocínio.

Em qual ponto do espectro introversão – extroversão você está?

Ter consciência desse ponto fará com que cada profissional, cada estudante saiba como e onde fazer o esforço para realizar apresentações em que sinta muito prazer antes, durante e depois da apresentação e os ouvintes saiam dali com a sensação de não terem percebido o tempo passar e profundamente gratos pela densidade e qualidade das reflexões.

Um treinamento adequado para aumentar a performance em público tem muita relação com a sensibilidade do treinador em relação ao treinando para identificar em que ponto do espectro introversão – extroversão ele se encontra e do quanto o treinando tem condições emocionais e intelectuais naquele momento para superar-se.

Portanto, Introvertidos e Extrovertidos, se bem treinados, farão apresentações de impacto.

Seja num seminário na universidade ou numa palestra no ambiente profissional, a alta performance é um misto de argumentos bem fundamentados (introversão) e expressados com a leveza e clareza adequadas ao momento e ao público alvo (extroversão).

Extrovertidos típicos ou com tendência a extroversão só farão apresentações relevantes e prazerosas se também performarem quanto ao conteúdo (seu maior desafio). Ao passo que introvertidos típicos ou com tendência a introversão somente atingirão a eloquência se, além da preciosidade do conteúdo, também performarem na descontração e leveza no contato com o público.

“Não é que eu seja tão inteligente”, disse Albert Einstein, que era um perfeito introvertido, “é que passo mais tempo com os problemas”. Certamente não daríamos boas gargalhadas ao ouvir Albert Einstein palestrar, mas não perceberíamos o passar das horas e sairíamos dali profundamente tocados pela sua visão do universo e da vida que nele pulsa.

Acesse o treinamento para apresentações de impacto, clicando aqui.

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